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Feminismo é de comer ou passar no cabelo? Ligado na Saúde

Feminismo é de comer ou passar no cabelo?

Data de publicação: 16/03/2018 20:17:00
Categoria: Curiosiodades
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O feminismo não é complicado, tampouco é de comer ou passar no cabelo. O movimento feminista defende a igualdade de gênero entre homens e mulheres, seja dentro de casa, na política ou no mercado de trabalho. Para se declarar feminista, basta acreditar que homens e mulheres devem ter direitos iguais em todos os âmbitos sociais.

Logo após a II Guerra Mundial, com a inserção das mulheres no mercado de trabalho e as inovações tecnológicas, o sonho de casar-se e ter filhos passou a ser apenas uma das opções para o futuro feminino, o que causou certo desconforto social. O período entre as décadas de 1960 e 1970 foi o momento em que o movimento ganhou força e forma, tendo como pano de fundo a invenção da pílula anticoncepcional, por exemplo.

Entretanto, a luta por igualdade de gênero nasceu muito antes. No Brasil do século XIX, as mulheres já lutavam pelo acesso à educação e à instrução. Na segunda metade do século XX, as brasileiras investiram na luta pelo direito de voto, conquistado em 1932, e na defesa do trabalho feminino.

Para a promoção de mudanças sociais que permitam que mulheres e homens sejam tratados igualmente, devem ser valorizados o diálogo e a educação. No Brasil, o movimento se fortaleceu quando as mulheres tiveram a oportunidade de estudar fora e voltar com novas ideais, como explica a pós-doutora em Ciência Política pela universidade de Yale, Lucia Avelar.

"A Europa foi decisiva para criar um conhecimento sobre as relações de gênero. Quando elas voltaram, viram que os nossos movimentos de mulheres e feministas ainda tinham muito o que fazer e deram o passo, importantíssimo, da transição entre uma militância política e feminista", afirmou a pesquisadora à uma publicação nacional.

As pautas do movimento sempre foram diversas e abrangentes, debatendo, por exemplo a violência doméstica, o direito ao controle de reprodução e liberdade sexual, melhores condições de trabalho, o fim da discriminação sexista e a representação da mulher na política.

O feminismo conseguiu ajudar a sociedade a avançar em diversas questões. Um exemplo é que, entre 1996 e 2006, a diferença salarial entre homens e mulheres diminuiu 10%, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ainda assim, em 2006 as mulheres brancas ganhavam, em média, 63% dos rendimentos dos homens brancos, enquanto as mulheres negras recebiam, apenas 32% do que eles ganhavam.

Na construção da família e criação dos filhos, o movimento defende a divisão das tarefas de casa, assim como a criação de creches e a prolongação da licença paternidade, para que as responsabilidades possam ser divididas igualmente entre os pais, e dando mais autonomia às mulheres. Por fim, a luta contra a violência doméstica ganhou força com a criação de delegacias especializadas, em 1985, a Lei Maria da Penha, em 2006, a Lei do Feminicídio em 2015.

A esperança do movimento é que a igualdade entre homens e mulheres seja alcançada em breve, com as novas gerações, que têm como exemplo a classe artística, que em 2017 e 2018 protestou em importantes premiações internacionais da música e do cinema, e participou também das discussões políticas nacionais.

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Fontes:

Redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila