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A Queima de Sutiãs Ligado na Saúde

A Queima de Sutiãs

Data de publicação: 09/03/2018 17:09:00
Categoria: Calendário da Saúde
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Mary Jacob, a primeira a patentear a invenção do sutiã como ele é hoje, não poderia imaginar que a peça fosse se tornar combustível de uma fogueira simbólica. Se em suas versões primitivas, que remontam a mais de dois mil anos, a função do sutiã era cobrir os seios, em 1968, eles foram usados para dar destaque às desigualdades de gênero.

Desde a Antiguidade, as mulheres ocidentais utilizavam de algum tipo de indumentária para sustentar os seios. Com o passar dos anos, as faixas com pouca forma foram dando espaço a peças mais sofisticadas como os espartilhos, que ganharam valor estético, foram cada vez mais associadas à sexualidade, e tornaram-se desconfortáveis.

O desconforto não vinha apenas do caimento das peças, mas da imposição de padrões de forma e beleza que ditavam como deveriam ser as mulheres, de acordo com o ponto de vista masculino. E foi da falta de identificação com esse modelo que nasceram os protestos como o da década de 1960.

Em setembro de 1968, diante do teatro em que era realizado o concurso de beleza Miss America, em Atlantic City, cerca de 400 mulheres se reuniram para atear fogo a produtos relacionados à beleza. Por impedimento da prefeitura, a fogueira não foi acesa, mas os símbolos opressores, como cílios postiços e revistas, foram descartados em uma pilha e a ideia dos sutiãs sendo queimados ganhou a imprensa.

A partir daí a discussão sobre igualdade de gênero, que já acontecia muito antes, ganhou um símbolo. Os sutiãs, saias e revistas femininas de 1968 foram enterrados pelas ativistas, mas em outros países, por onde se espalhou a notícia dos protestos, os sutiãs foram realmente queimados.

Os ecos desse momento histórico permanecem até os dias de hoje. No Dia Internacional da Mulher, em 2017, sutiãs foram queimados em Goiânia, aqui no Brasil. O movimento por igualdade entre mulheres e homens repete os passos que foram dados há 50 anos, e as mulheres marcham por representações mais reais e diversas no cinema, nas novelas e nos romances. Lutam por igualdade de salários, pelo fim da violência e dos assédios contra as mulheres, tanto em casa quanto nos locais de trabalho.

“O movimento feminista não era nada mais que um sindicato de mulheres. Tinha as mesmas reivindicações que os sindicatos na época: igualdade de direitos e liberdade de expressão”, afirmou a feminista Rose Marie Muraro, uma das precursoras do movimento no Brasil a uma publicação nacional.

Na história real, os sutiãs não foram queimados, mas a ideia de uma mulher plástica e passiva tornou-se cinzas naquele dia. O feminismo não nasceu como uma revolta contra os homens ou contra a beleza, mas como um clamor pela igualdade entre os gêneros.




Fontes

Tradutora e redatora: Daniela Souza
Revisora: Paula Ávila