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Febre Amarela- o surto da doença no Brasil Ligado na Saúde

Febre Amarela- o surto da doença no Brasil

Data de publicação: 20/02/2018 17:09:00
Categoria: Doenças
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A febre amarela é uma doença infecciosa viral aguda que é transmitida aos seres humanos através da picada de mosquitos infectados. Embora muitos casos de febre amarela sejam brandos, a doença pode causar febre hemorrágica e hepatite. Os quadros mais graves da enfermidade podem ser fatais, levando o paciente a óbito.

Com o atual surto da doença no Brasil, algumas cidades decretaram estado de calamidade pública. Somente em Minas Gerais, 80 pacientes faleceram devido à doença. A grande maioria dos mortos eram homens e moradores de zonas rurais. A partir desse dado, é possível perceber uma defasagem no processo de vacinação em municípios com extensa zona rural.

Devido ao crescimento acelerado de casos da doença, a campanha de vacinação foi antecipada em várias cidades do país. Durante a campanha, ouve fracionamento da vacina em alguns locais, com o objetivo de atingir o maior número de pessoas possível e controlar o avanço da doença.

"Não sabemos a extensão do que vai acontecer com a febre amarela neste ano e, por precaução, estamos regulando nosso estoque para eventuais necessidades. Se surgirem outros focos em outros estados, teremos condições de suprir as áreas mais afetadas", afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.


Riscos da reurbanização da febre amarela

A febre amarela chegou ao Brasil ainda no século XVII, e se espalhou sem combate durante três séculos. O vírus e seu transmissor – Aedes aegypti, vieram junto com as embarcações de navios que traziam escravos. Uma das cidades mais afetadas foi a capital da época, o Rio de Janeiro. Até que um plano do sanitarista Osvaldo Cruz junto ao governo, erradicou o único vetor do vírus nos centros urbanos — o Aedes aegypti africano.

O último registro de febre amarela urbana no Brasil aconteceu em 1942. Desde então, o vírus desapareceu dos centros urbanos, mas sobreviveu nas áreas de matas. Recentemente, uma pesquisa feita pelos institutos Oswaldo Cruz (IOC/FIOCRUZ), Evandro Chagas e Pasteur da França, apontou que a reurbanização da febre amarela é uma realidade. Os mosquitos urbanos – Aedes aegypti e Aedes albopictus, podem se tornar um vetor do vírus da febre amarela.

Para o pesquisador, perante a real possibilidade de ressurgimento da febre amarela urbana, para evitar que isso ocorra é necessário que os órgãos de saúde reforcem o combate ao mosquito e a imunização a população.


Mais quais os ricos do Aedes aegypti transmitir a febre amarela?

Segundo a pesquisa, o Aedes aegypti pode transmitir a febre amarela, porém, os ricos de infecção são menores se comparado a outros vírus.

De acordo com Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, a probabilidade do Aedes aegypti provocar uma epidemia de febre amarela nos centros urbanos é baixa: “Os índices de infestação são baixos, e geralmente evitam a transmissão urbana da febre amarela, mas não impedem a transmissão da dengue, da zika e do chikungunya. E aí você pode perguntar ‘por que isso?’. Porque o vírus da dengue, da zika e da chikungunya se replicam, eles se reproduzem muito mais facilmente nas células do Aedes aegypti do que o vírus da febre amarela, e isso se deve porque os receptores das células do Aedes aegypti não gostam muito dos antígenos dos vírus da febre amarela, os antígenos do vírus, que é que faz a ligação, e prefere o do dengue, do zika e do chikungunya”.


Sobre a vacina contra a febre amarela

A vacina é produzida a partir de um vírus atenuado. Isso significa que o vírus da febre amarela foi enfraquecido para estimular uma reposta do organismo, provocando a criação de anticorpos contra o agente etiológico.

O governo disponibiliza o soro contra a febre amarela em doses suficientes para atender a população localizada em áreas de risco. Em entrevista recente, o ministro da saúde substituto, Antônio Nardi, afirmou que, com o fracionamento, o Brasil terá o volume suficiente para vacinar toda a população do país - caso isso seja necessário. O objetivo da vacinação é proteger as pessoas contra o ciclo silvestre da doença e evitar a urbanização do problema.

A estratégia de fracionamento de vacinas já foi utilizada na República do Congo e na Angola durante um surto de febre amarela silvestre em 2016, quando não havia doses suficientes para toda a população do país e acabou sendo um sucesso. A medida é recomendada pela OPAS/OMS como uma "solução às necessidades eventuais de campanhas de larga escala". Na dose fracionada, o cartão de vacina receberá um selo diferente e o paciente necessitará de uma dose reforço em um período a ser determinado pelos estudos em andamento. A longo prazo, os pacientes deverão receber uma dose total para terem um índice de proteção de aproximadamente 90% contra a doença.


Quem deve tomar a vacina?

Todas as pessoas a partir de 9 meses a 60 anos de idade que não tenham tomado a vacina e não tenham nenhuma contraindicação.

Crianças de 9 meses a 2 anos de idade, pessoas com condições clínicas especiais como AIDS, doenças hematológicas, gestantes (com autorização médica) em zonas de risco, pacientes após término de quimioterapia e viajantes internacionais, mediante apresentação do comprovante de viagem, serão priorizados para as doses completas.

Quem NÃO deve tomar a vacina?

  1. Pessoas que possuam alguma doença ou deficiência ligada ao sistema imunológico;
  2. Gestantes que não estejam em áreas de risco;
  3. Pessoas com grave alergia à ovos;
  4. Bebês com menos de 6 meses de idade;
  5. Idosos acima de 60 anos.


Fontes:


Redator: Alexandre Barbosa
Revisora: Paula Ávila